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Inteligência Artificial – Inimiga ou Aliada?

Parte 3 – O que esperar do Futuro?

A supremacia da inteligência biológica está mesmo sendo ameaçada? Seria a inteligência artificial mais perigosa do que a inteligência humana?


Esta é uma série de 3 artigos. Caso queira ler o conteúdo completo em pdf, faça o download aqui.

Leia aqui a Parte 1 e a Parte 2.


Alguns visionários, estudiosos do tema, acreditam ser possível por volta de 2050, um humanoide com capacidades amplas, próximas as de um ser humano, a chamada general AI. Mas, essa possibilidade ainda está muito longe de um consenso. A despeito, como não poderia ser diferente, Elon Musk surpreendeu mais uma vez ao anunciar em 2021, o projeto do Tesla Bot, um humanoide. Talvez um protótipo venha a público até o final de 2022. Apesar de ele vir a fazer algumas “coisas” extraordinárias, sabemos que existirão limitações funcionais gigantes. Mais uma vez, talvez ele faça impecavelmente umas 5 ou 20 coisas, mas um humano é capaz de realizar milhares, é este o ponto. De qualquer forma, Elon Musk não vai querer decepcionar, em breve vamos descobrir.

Vejo a inteligência artificial como um divisor de águas, mas seria comparável à revolução industrial? Pois bem, a evolução da inteligência artificial catalisada pela transformação digital, realmente é um marco e merece o título de revolução, reparem que a velocidade atual na adoção de novas tecnologias é infinitamente maior que no passado. O que aconteceu nos últimos 15 anos e o que está para acontecer nos próximos 15 mudará significativamente a indústria, empregos, modelos de negócio, logística, manufaturas, relações sociais etc. É um espaço muito curto de tempo, para um mundo totalmente diferente, impregnado de tanta tecnologia no dia a dia de todos.

Quem negligenciar a fluência digital no presente, possivelmente encontrará limitações futuras de abrangência socioeconômica e cultural. Não se trata da retórica de certo ou errado, do bem ou do mal, mas de opções na experiência humana. As gerações Z (nascidos entre 1995 e 2010) e Alpha (nascidos a partir de 2010) encaram estas novidades “tech” com naturalidade, como se toda exponencialidade tecnológica que estamos vivendo, fosse apenas uma evolução linear que acontece desde sempre, o que não é verdade. Muitos de nós, ainda irão se chocar com tantas inteligências não biológicas e/ou robóticas muito presentes em nosso dia a dia.

A utilização massificada de IA, certamente abrirá portas para interesses escusos e maléficos, para tanto caberá uma legislação atenta e com uma fiscalização implacável para garantir que o mundo permaneça em paz entre as nações e com uma convivência saudável entre humanos e “robôs”. Tudo que é poderoso demais atrai interesses diversos, portanto além de entusiasmo, o assunto merece preocupação. Você se sentiria confortável ao lado de um robô policial autônomo armado? E um exército deles, do que seriam capazes?

Seria a inteligência artificial mais perigosa do que a inteligência humana? Hum, pois é.

Indo mais fundo, o que realmente provoca impacto na sociedade e no mercado, não costuma ser a utilização de uma tecnologia de forma isolada, mas a sinergia quando usadas de forma combinada: IoT, cloud, IA, robótica, web3, blockchain, realidade aumentada e virtual, redes 5G, drones, computação quântica etc. Veja por exemplo, um carro autônomo, a combinação de tecnologias envolvidas, para oferecer algo realmente incrível.

Agora, reparemos que é preciso acompanhar de perto o movimento de empresas e países que detêm maior aparato de tecnologias em nível mais alto de maturidade. O que notamos é um domínio quase covarde das Big Techs em relação às tecnologias disruptivas que ditam o futuro. Talvez, uns 20% dos melhores cientistas de dados do mundo 13 pertençam a apenas 5 empresas: Meta (Facebook), Alphabet (Google), Amazon, Microsoft e Apple.

Quantas pessoas você conhece que não usa o buscador do Google, ou troca mensagens pelo Whatsapp?

Eu diria que é bem difícil acessar uma página web, que não esteja hospedada na AWS (Amazon), Google Cloud (Alphabet) ou na Azure (Microsoft), juntas têm mais de 50% do mercado de cloud. Uma parte gigante da população não passa um único dia sem acessar ao menos uma destas redes sociais, LinkedIn, Instagram, Whatsapp e Facebook. E são raríssimas as pessoas que não dependem de um destes sistemas operacionais, Windows, Mac Os, Android ou iOS.

As Big Techs, já trilionárias (em dólares), se tornam cada vez maiores a cada ano, comprando dezenas de empresas em curtíssimo espaço de tempo, assim concentrando mais poder e influência. Estaríamos em boas mãos?

Por sinal, as Big Five, citadas acima são americanas. Não é sobre uma teoria da conspiração, mas é fato que elas dirigem o mercado de tecnologia e de alguma forma, estão presentes todos os dias na vida de todos. Basta ter um smartphone para constatar isso.

Fato é que a inteligência artificial pode ser poderosa demais para ficar desprotegida de órgãos reguladores de mercado e legislações com foco social. Muitas das reflexões deste tema extrapolam o âmbito da tecnologia. Para um parecer minimamente justo, sobre o que viria ser um nível saudável para uma utilização equilibrada de IA, seria preciso envolver um grande time nesta pauta, incluindo antropólogo, filósofo, sociólogo, entre outros estudiosos de Humanas.

A adoção maciça de tecnologia deve vir com o manto da responsabilidade, respeito, ética, segurança e privacidade. A tecnologia está tão entranhada na nossa realidade que não deve ser mais dissociada de outras disciplinas de Humanas. Crenças e valores devem continuar a ter sua importância quando na oportunidade de nos posicionarmos frente a algumas aplicações de inteligência artificial – elas surgem todos os dias. Mas, vale dizer, o preço do livre arbítrio está mais caro do que nunca. Um exemplo atual, é a decisão pessoal por tomar ou não a vacina para a Covid-19, quem opta por não tomar, a cada dia se depara com algumas restrições sociais impostas por órgãos públicos e privados. Da mesma forma, conforme os anos passam, resistir à inteligência artificial, optando por não entrar em um carro autônomo, negar-se a aderir a parecer clínico crítico gerado por um software, não crer na indicação automatizada para ativos financeiros, não enxergar benefícios de uma assistente virtual (Siri, Alexa, Cortana), não reconhecer que os sites estão cada vez mais precisos em sugerir produtos e serviços que combinem com as nossas necessidades e desejos, etc… pode ter um preço direto e indireto que não estaremos dispostos a pagar.

Quando penso em IA, ainda prefiro olhar o copo meio cheio, apesar de preocupações legítimas. O futuro promete ser uma mescla de real e virtual, de humanos e robôs.  Considero necessário estarmos em paz com a tecnologia, adestrando-a de forma consciente e para não temermos ser substituídos por um robô, não podemos vacilar em agir como tal. Sejamos vigilantes em valorizar e colocar em prática todos os dias, não apenas a nossa nobre inteligência lógico-matemática, mas as outras inteligências que nos fazem humanos: a interpessoal, linguística, emocional entre outras capacidades, até então incopiáveis pelas máquinas.

Sobre o Autor

Carlos Eduardo Lamon

Arquiteto de Soluções para Automação de Processos Analíticos na RED Innovations